sexta-feira, 4 de maio de 2007

Saudades de um eterno amor...


"Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras EU SEI dizer, como é grande o meu amor por você..." Com as palavras do rei Roberto Carlos, saliento a minha posição de que dizer que se ama alguém nunca é demais, todas as formas de amor valem a pena enquanto temos tempo de expressá-las. Nasci cercada de muito amor, amor de pai, de mãe, de avôs, e da minha maior saudade do mundo, minha avó, que há três anos renasceu em um outro plano, e olha por mim lá de cima.
Que saudades da minha velhinha. Não há um só dia, um só minuto que eu não sinta a sua presença, não ouça bem baixinho, no fundo dos ouvidos, suas leves passadas, suas risadas, e seu olhar de, sempre, orgulho de mim e do meu irmão, principalmente. Tenho muito a agradecer a Deus, ao grandioso que nos abençoa de cima, por não ter feito minha avó sofrer em vida, ela foi embora sem se despedir, dormindo, feito um anjo, e transformou aquele 4 de maio no dia que mais sofri na minha vida, até hoje. A dor lancinante que parecia apertar meu peito para dentro, e arrancar meu coração não passou, apenas está mansa, em seu lugar e, de certa forma, tudo que aquela pequena grande pessoa me passou me serve como fonte de força para viver, por ela, e para ela.
É inesquecível qualquer momento, qualquer afago, desde o meu primeiro banho, até os atos de me ensinar a dar meus primeiros passos, estar sempre ao lado da minha mãe, mesmo com seu jeito rude e um pouco grosseiro, mostrando como criar filhos para uma criança, minha mãe até então com apenas 23 anos.
Durante toda a minha vida, até que ela se foi, eu assistia Raul Gil aos sábados, e achava engraçado. Subia (minha avó morava em cima da minha casa) para jogar buraco, e ela, sempre, com seus truques durante o jogo, uma velhinha sempre esperta. Íamos à feira juntos, e eu e meu irmão pegávamos biscoitos amanteigados, e ela tudo nos comprava, sempre impondo os seus limites, mas nos agraciando com toda ternura que a falta das nossas avós poderiam nos ter feito.
Aquela senhorinha de pouco menos de 1,50m de altura, que carregava em cada uma de suas mãos um de seus bisnetos, e os trazia da escola, brincava, ensinava valores, contava histórias. Aquela cabecinha branca que me fazia cafuné, que me fazia tranqüila, que cantarolava para eu dormir, que me levava à pracinha, e que , simplesmente, me defendia contra o mundo, e de todos os olhares que me pudessem fazer qualquer mal.
Esse meu maior amor no céu, que tinha 94 anos, me deixou saudades eternas, mas lições que me levarão a ser, ao menos, parecida com ela. Minha avó acreditava que, um dia, eu seria uma grande escritora, igual ao seu marido, e, por ela e por mim, farei o que for possível para concretizar o nosso sonho. "Aonde quer que eu vá, levo você no olhar....longe daqui, longe de tudo, meus sonhos vão te buscar, volta pra mim, vem pro mundo, eu sempre vou te esperar". O Herbert Vianna compôs essa letra em um momento de dor, e espero, assim como ele, que um dia eu possa te encontrar de novo, minha amada vó, minha bisa, um pedaço do meu coração. Te amo, e amarei, para sempre!

Nenhum comentário: