sábado, 12 de janeiro de 2008

Tarde de verão, Leblon, Rio de Janeiro, 40 graus. Americanos, argentinos, chilenos, brasileiros. Paulistas, mineiros, cearenses, cariocas. Negros, mulatos, nórdicos. O metro quadrado mais caro do Brasil contrasta-se com o morro do Vidigal. Os ambulantes contrastam com o desfile dos carros do ano.

O Rio de Janeiro, definitivamente, tem duas caras, duas caras presenciadas por vários olhares, olhares de crença, de descrença, de orgulho, olhares de medo. Sentada na praia, debaixo de uma barraca, olhando o mar, tenho coragem, e a palavra certa é essa, de sacar da bolsa uma máquina para registrar algumas trivialidades que nos passam longe às vistas durante a semana turbulenta.
Rir, bater um papo, e até mesmo gargalhar. Tomar um chopp na esquina, comer um biscoito Globo, tomar um mate de galão. Ter o cabelo queimado do sol, a pele bronzeada, ter sempre o sorriso no rosto. Cenas típicas de um também típico carioca. Carioca da gema.
Preocupar-se com a conta bancária. Ter medo de tudo e de todos. Provocar olhares curiosos, cenas provocantes, pensamentos preconceituosos. Querer sempre mais, perder a leveza, falar sempre do mesmo assunto. Cenas típicas de um brasileiro, de um brasileiro que bate sempre na mesma tecla, a tecla que retrocede, como numa fita cassete.
Mas afinal, estou no Brasil, e ainda mais, no Rio de Janeiro. Então, voltando às areias do Leblon, dos registros fotográficos passo para o calçadão , do calçadão para tomar um café, um andar despreocupado, um ventinho correndo no rosto. Paro para ver lindas flores, fico consternada com a beleza de um gatinho de rua.
Vejo um menino com a mão para dentro do short. Um momento de silêncio. Paro tudo e procuro um local movimentado. Esse menino poderia estar se coçando, mas não penso nisso. Pela minha cabeça vem a lembrança de que sou brasileira, e que estou no ....Rio de Janeiro. Medo. Socorro. Tento voltar a pensar no mar.

Um comentário:

Ana disse...

hummm... algo de familiar nesse seu dia... rsrsrsrs
adorei!!!!
bjs